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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Festa de Nossa Senhora da Arrábida

Algumas loas do Círio de Setúbal

Ano de 1853

Recitadas por três anjos no Círio solene, com que os
devotos setubalensenses foram, em romaria, tributar reli-
giosas homenagens à Santíssima Virgem, pela Páscoa do
Espírito Santo.                                                                    


SAÍDA DO CÍRIO DE SETÚBAL

Devotos setubalenses
Vamos com devoção
Pagarmos à Mãe de Deus
Piedosa obrigação.

Ao devoto arraial
Quando chegardes Cristãos
Louvai a Virgem Soberana
Levantando as vossas mãos.

Portai-vos como Cristãos
Sobre o Monte do Senhor,
Monte, aonde a Santa Imagem
Apareceu em resplendor.

etc., etc...

CHEGADA AO TEMPLO DA SENHORA

Devotos setubalenses
Tirai os vossos chapéus
Já chegaste ao Palácio
Da Imperatriz dos Céus.

A Imagem perseguida
Era o mais rico tesouro
Que Hildebrando trazia
Em mais estima que o ouro.

Ele a montanha subiu
E fica na solidão
Servindo a Santa Virgem
De todo o seu coração.

Da Igreja da Memória
Pelos Frades foi tirada
Para ter aqui mais culto
E ser por eles louvada.

Lá no Sítio da Memória
Onde está hoje a Ermida
Se divisou do Navio
A Imagem Perseguida

A Imagem de Maria
Que fugira do Navio,
É vista, logo apressado
Ele a montanha subiu.

etc., etc...

DESPEDIDA DO TEMPLO

Na presente ocasião
Devotos setubalenses
Dizei todos um - A Deus - 
Aos bosques Arrabidenses.

A Deus Santos do Convento
Do velho, como do novo,
A Deus sepulcros intactos
A Deus escolhido povo.

A Deus flores tão mimosas
Adeus ternas avezinhas
Adeus alto promontório
Que ao Céu nos encaminha.

ENTRADA DO CÍRIO EM SETÚBAL

Devotos setubalenses
Já chegastes finalmente
Ao ponto donde partistes
Para festa tão luzente

Por vós está a rogar
Lá na serra milagrosa
De cá mesmo lhe façamos
Uma oração fervorosa.

Chegou enfim a Setúbal
O Círio da Cristandade
Dos bosques arrabidenses
Trazendo viva saudade.

O regresso do círio a Setúbal era feito com a mesma solenidade, e era aguardado no cais de Nossa Senhora da Conceição com o mesmo regozijo da partida.

O andor da Senhora da Arrábida seguida depois em procissão através da cidade.

Realizavam-se então brilhantes arrais em Setúbal, no Largo de Jesus, e serenatas no rio Sado, touradas, etc...

E assim terminavam nesta época as festividades da Senhora da Arrábida, que tantas recordações e saudades deixaram na devoção do povo.

Estes festejos em Setúbal e Arrábida chegaram a ser considerados com os mais importantes do sul do país.

PINTO, Maria Adelaide Rosado, Toadas, Cantares e Danças de Setúbal e Sua Região. Junta Distrital de Setúbal, 1971



terça-feira, 31 de maio de 2011

Toada da Beira-Mar


Ai, ai, ai
O meu amor foi-se embora
Lá vai com a maré cheia
Já lá vai pl'a barra fora.

Ai, ai, ai
O meu amor anda ó mar
Quem tem amor mareante
Não tem homem pr'a casar.


Ai, ai, ai
O meu amor foi-se embora
Lá vai com a maré cheia
Já lá vai pl'a barra fora.

Recolhida no Bairro de Troino em 22 de Agosto de 1889

In PINTO, Maria Adelaide Rosado, Toadas, Cantares e Danças de Setúbal e Sua Região: Factos e Tradições, Setúbal, Junta Distrital de Setúbal, 1971, p. 11-13

sábado, 14 de maio de 2011

Barca Velha



Barca velha
Sai do Mar
Já não volta
A navegar
Marinheiro
Ao embarcar
Noutra barca
Vai lutar.



Canta a saudade |
Por onde vais     | bis
E a barca velha. |
Não volta mais.  |

Canção de despedida a uma barca que não voltou ao mar por estar velha. - Barca do Zé Diogo - 
Durante muitos anos esta canção de saudade foi cantada pelos homens do mar, com acompanhamento de guitarra ou bandolim e viola.


In PINTO, Maria Adelaide Rosado, Toadas, Cantares e Danças de Setúbal e Sua Região: Factos e Tradições, Setúbal, Junta Distrital de Setúbal, 1971, p. 9-10