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quarta-feira, 9 de julho de 2014

A habitação popular urbana em Setúbal no primeiro terço do século XX


Título: A habitação popular urbana em Setúbal no primeiro terço do século XX
Autor: Paulo Eduardo Guimarães
Editor: ICS
Ano: 1994

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Intervenção arqueológica na Rua Álvaro Castelões n.ºs 38 e 40 (Setúbal) e sismo de 1755



Título: Intervenção arqueológica na Rua Álvaro Castelões n.ºs 38 e 40 (Setúbal) e sismo de 1755
Autores: Susana Duarte | Joaquina Soares | Carlos Tavares Silva
Edição: Setúbal Arqueológica, Vol. 15, 2014, p.341-372

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Arqueologia no Museu de Setúbal/Convento de Jesus


Título: A Arqueologia no Museu de  Setúbal/Convento de Jesus
Autores: Maria João Cãndido | José Luís Neto
Edição: Revista da Faculdade de Letras CIÊNCIAS E TÉCNICAS DO PATRIMÓNIO
Porto 2008-2009 I Série, Volume VII-VIII, pp. 115-125

sexta-feira, 21 de março de 2014

Linhas de evolução da indústria conserveira em Setúbal

Comunicação apresentada em 1º Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, Setúbal, 25-26-27 novembro 1988 por Albérico Afonso e Carlos Mouro:

"A indústria conserveira em Setúbal está profundamente ligada à história de Setúbal neste último século.

A economia, a população, os valores culturais e, mesmo, o traçado urbano, seriam outros se esta actividade não tivesse aqui florescido.

Gerações e gerações de setubalenses tiveram as suas vidas intimamente ligadas às conservas de peixe. 

Mas a sua história - tecida de momentos de expansão e de outros de clara e dramática recessão, está em grande parte por contar...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Os Conserveiros de Setúbal (1887-1901)



Nos anos de transição do século xix para o século xx, Setúbal deixou de ser uma comunidade rural e piscatória tradicional e transformou-se num centro fabril. Uma das áreas em que esse processo muito claramente se reflectiu foi, sem dúvida, a população.

De 1864 a 1911 deu-se um surto demográfico em todo o concelho1. Só na década de 1890-1900 se verificou um acréscimo (8085 pessoas) superior ao dos vinte e seis anos precedentes (7692). E, de 1900 a 1911, o número de habitantes subiu 10 378, passando de 37 405 para 47 783, num ganho dramático de 27,7 %. Por outras palavras, em 1911 a população excedia o dobro da de 1864 e a densidade populacional — 31,5 habitantes por quilómetro quadrado em 1864— atingia os 69,9 habitantes por quilómetro quadrado. (...)


Análise Social, vol. XVII (67-68), 1981-3.º -4º, p. 615-678, Os Conserveiros de Setúbal (1887-1901) - Vasco Pulido Valente

Foto: Can the Can

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os "Morgados" do Museu de Évora



Artigo Os "Morgados" do Museu de Évora de Joaquim Oliveira Caetano publicado no Boletim on line do Museu de Évora, nº 6 de Outubro de 2014. 

Excerto:

O Museu de Évora possui 15 pinturas dadas como da produção de José António Benedito de Faria e Barros, conhecido como “o Morgado de Setúbal”. Mesmo considerando que três destas pinturas podem ter atribuição discutível, é um núcleo importante de obras do pintor, actualmente talvez o maior, depois do grande grupo de 26 pinturas do Museu Carlos Machado de Ponta Delgada, que pertenceu à antiga colecção da Condessa de Cuba. Todas as pinturas datam das décadas de 1780 e 1790 e, à excepção de duas, todas pertenceram à colecção de Frei Manuel do Cenáculo. 

Sobre o Autor

Joaquim Oliveira Caetano nasceu em Beja, em 1962, e apresentou a sua tese de mestrado na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa, em 1997. Publicou inúmero artigos sobre a História da Arte em Portugal, dedicando-se principalmente ao estudo da pintura. Foi director do Museu de Évora entre os anos de 1999 e 2010 e actualmente integra os quadros do Museu Nacional de Arte Antiga.

Artigo:


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A roda do sal de Setúbal (Portugal)

A investigação realizada procura responder à proposta de trabalho estruturadora do II Seminário Internacional sobre o sal Português, que elegeu, como temática central, “a articulação do sal português aos circuitos mundiais – antigos e novos consumos”. No caso vertente pretendemos analisar alguns aspectos do monopólio comercial português e o seu significado no quadro da evolução da exportação do sal português. Esta análise coloca, como hipótese contextualizadora, a possibilidade de introdução de factores perturbadores nos centros de produção e comercialização
portugueses, no século XVIII e inícios de XIX, frente à emergência ou hierarquização de novos centro produtores e consumidores, numa partilha de antigos e novos mercados. O estudo estrutura-se em três partes. Numa primeira define-se o conceito de monopólio na especificidade do caso português, em torno da “roda” do sal de Setúbal. Numa segunda parte, terá sentido realizar um ponto da situação dos interesses do mercado europeu pelo sal português, observando a relação de Portugal com os restantes centros produtores europeus, nos séculos XVII a meados de XVIII. Numa terceira parte, avaliar-se-ão as alterações dos circuitos comerciais do sal português (1790-1830) e possíveis repercussões na hierarquia produtiva dos salgados europeus e dos mercados consumidores atlânticos.

Neste percuro recorreu-se ao cruzamento de informação produzida por estudos realizados para outras realidades concorrenciais da produção e/ou do comércio português, permitindo-nos comparar e orientar a sua posição. A investigação da incontornável historiadora portuguesa Virgínia Rau, e de outros estudos, formam um lastro informativo fundamental, a que se acrescentam fontes manuscritas e impressas de que se elencam os relatórios de agentes do rei, memórias de académicos, economistas portugueses, de finais do século XVIII e as estatísticas do sal exportado, registado nas chamadas balanças de comércio com o estrangeiro, para o período de  1790-18313 que, não obstante a dificuldade em avaliar criticamente, a sua validade, não deixam de ser indicadores da hierarquização dos mercados.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Do ensaio do poder à guerra social permanente e de alta intensidade: Setúbal republicana: a greve geral da indústria conserveira de 1922

ALHO, Albérico A. C. - Do ensaio do poder à guerra social permanente e de alta intensidade: Setúbal republicana: a greve geral da indústria conserveira de 1922. In ENCONTROS DE ESTUDOS LOCAIS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 2, Setúbal, 2010 - Estudos locais do distrito de Setúbal: [atas]. Setúbal: IPS-ESE, 2011. ISBN 978-972-8507-21-3. p. 225-240.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A expressão anarquista nas paredes de Setúbal: o cavalo de batalha de Tróia



Resumo:

O empreendimento Troiaresort, da Sonae, tem sido alvo de uma intensa campanha de boicote por parte do movimento anarquista de Setúbal, que regularmente grafa nas paredes da cidade frases imperativas (“Tróia é nossa”, “Quero a velha Tróia”), desalentadas (“O ferry vai e volta, a nós resta-nos a revolta”) ou jocosas (“Coisas finas na Tróia só se for a areia”). Em Agosto último, os anarquistas que não querem “resorts nem barcos de luxo a preços de luxo” mas “uma Tróia livre e do povo” organizaram um conjunto de iniciativas que intitularam de Destroioresort, dando voz a um desconforto, um inconformismo e uma nostalgia que ultrapassam o sentir do grupo – a avaliar pelo facto de o livro Quando a Tróia Era do Povo (2009) ter esgotado três edições em Setúbal em menos de dois meses. E embora a questão do designado “turismo de luxo” naquela península não seja nova – colocando-se desde os tempos da Torralta e tendo sido objecto de murais de contestação de partidos como o PSR no final da década de 1990 –, o tema ganhou alento nos últimos anos com a renovada actividade do movimento anarquista, cuja tradição em Setúbal remonta às lutas sindicais na indústria conserveira, o que justifica o seu acompanhamento e a sua análise neste e-working paper.


Autor: Helena de Sousa Freitas

Url original: http://repositorio-iul.iscte.pt/handle/10071/3650

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sobre Afonso, o Africano...

O Afonso Africano (1611), de Vasco Mouzinho de Quevedo Castel-Branco, assinala uma viragem estilística e ideológica, aliás já a desenhar anteriormente. Nele ainda se faz sentir a influência camoniana, mas apenas no que respeita à fraseologia, ao material primeiro do estilo, pois a matriz do seu poema, como a da Malaca Conquistada de Sá de Meneses, é a Jerusalém Libertada (1581) de Tasso, o poema por excelência Contra-Reforma, sobretudo na sua refundição de 1593. Ao prosaísmo cronístico vai seguir-se a alegorização da acção em termos moralistas e religiosos. D. Afonso V é o Varão Forte que conquista em Arzila, a Cidade da sua própria almas, forçando cinco portas, que são os Cinco Sentidos, mediante a luta entre cavaleiros cristãos e mouros, cujos símbolos heráldicos representam outras tantas virtudes ou vícios opostos. A conquista foi sugerida em sonho por uma Donzela Formosa, que é a Fé; o sulcar do Oceano pelas naus foi a vitória contra as tentações infernais, cujo orientador, o mago Eudolo, consegue a certa altura prender o príncipe D. João, ou seja o Amor, numa ilha de Deleites que o ia perdendo. É escusado continuar o esmiuçamento dos símiles alegóricos, em que a influência de Tasso, quase a sua paráfrase, se sente, por exemplo, na paixão da moura Zaida pelo príncipe D. João. A escolha do tema, que em grande parte pode explicar, pela semelhança do contéudo, a preferência do modelo tassiano, decorre sensivelmente do propósito de dar uma contrapartida de Alcácer Quibir. Com efeito, o mago Eudolo, depois de vencido, vaticina toda a história de Portugal no Norte de África, detendo-se especialmente pelo martírio do Infante Santo que prenuncia o ambiente trágico em que se assiste, no penúltimo canto ao destroço do exército de D. Sebastião, com a consabida enumeração dos membros da aristocracia a morrer em beleza. É uma página lutuosa de nobiliário metrificado.

in SARAIVA, António José & LOPES, Óscar História da Literatura Portuguesa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Intervenções da Administração Pública Noutras Zonas do País Afectadas pelo Terramoto e pelo TsunamiI – Os Casos de Setúbal e do Algarve



6.1. Setúbal

Face à situação existente na então vila de Setúbal, em 5 de Novembro de 1755, Sebastião José Carvalho e Mello escreveu ao governador dessa praça, Sargento-Mor de Batalha Pedro de Sousa Castelo-Branco, dando-lhe instruções para fazer face à problemática existente que, para além das consequências do terramoto e do tsunami, implicara a deserção dos soldados do regimento local.

Nessas instruções dizia-se que devia convocar «por bandos debaixo da pena de perdimento dos postos aos Oficiais, e da pena de desertores aos soldados». «Com eles e com os paisanos» Sua Majestade esperava que o Governador tivesse feito «toda a possível diligência por dar sepultura aos mortos exortando o Clero e os Regulares» a concorrerem «em obra tão religiosa e de tão indispensável necessidade, antes que o ar se infecte com mais funestas consequências pela corrupção dos cadáveres, que sendo muitos devem ser lançados ao mar, pelo menos uma légua distante, como aqui se acordou com o Cardeal Patriarca».


Os ladrões, «que abusando da calamidade presente escalassem os Templos ou as casas» deviam ser presos e remetidos para a Corte «à ordem do Duque Regedor das Justiças […]», «para a remessa à comissão, que o mesmo Senhor tem ordenado, para os réus destes ímpios e desumanos crimes serem julgados e executados no mesmo dia».

O Governador foi também instruído no sentido de continuar «o despacho da Alfândega para a saída dos navios de sal, e entrada dos que trouxerem fazendas. Devia igualmente ampliar as instalações para armazenagem».

Para que não houvesse dúvidas quanto à autoridade concedida ao Governador, as instruções diziam ainda o seguinte:

Para o referido concede a S. Majestade a V. M., por este, toda a necessária jurisdição, ordenando a todos os Ministros, Oficiais de Justiça e mais pessoas a quem pertencer que cumpram e executem seus mandados, ainda que sejam de jurisdições diversas, porque o mesmo Senhor tem feito todas cumulativas nesta ocasião. E para que ninguém alegue ignorância, pode V. M. fazer registar esta em todas as Repartições de Guerra, Justiça e Fazenda dessa Vila, e publicar por bandos o que julgar que é conveniente.

Nos dias 10 e 14 de Novembro – em virtude de constar ao rei que o governador da Praça de Setúbal se achava «impossibilitado por um acidente de pedra» foram expedidadas ordens ao coronel João Alexandre de Charmont no sentido de se dirigir sem perda de tempo para a vila de Setúbal «para que nela se procedesse de acordo com as Providências ordenadas ao Sargento-Mor de Batalha Pedro de Sousa de Castelo-Branco, instruções essas de que lhe era enviada uma cópia».

Acrescenta-se que, enquanto o governador não recuperasse, o coronel deveria exercitar a «dita jurisdição mandando a todos os Oficiais de Guerra, Ministros de Justiça, Oficiais de Câmara e da Fazenda, a cujo fim fará V. M, registar este Aviso, com o que nele vai incluso, em todas as referidas repartições, para obedecerem aos mandados de V. M., sem réplica até segunda Ordem do mesmo Senhor, que do contrário se dará por muito mal servido, principalmente em uma ocasião em que tem feito todas as jurisdições cumulativas, e na qual todo o conflito de jurisdição, que retardasse o efeito das Reais Providências seria taão intempestivo como estranho a S. Majestade».

Noutras instruções do mesmo dia 10, Sua Majestade acrescentava:

[…] que no cvaso em que os homens do mar da Vila de Setúbal se não movam a restituir-se à dita Vila, e a concorrerem nela para a necessidade pública de remediar, nem pelos benefícios com que a Real benignidade os convidou nessa ocasião, nem pelos estímulos da Religião e da humanidade, que os obrigam a concorrer para salvarem a sua pátria, mande V. M. pôr Editais, declarando por eles que todos e cada um dos pescadores, que no termo que V. M. lhes assinar, se não vierem apresentar à sua ordem ficarão ipso facto privados dos privilégios que S. Majestade lhes tem concedido, e dos quais não devem ficar gozando como indignos deles os que faltarem a tão indispensáveis obrigações.

Finalmente, no dia 14 de Novembro, Sebastião José de Carvalho e Melo, em resposta a uma carta do Coronel Chermont em que devia referir desobediências no acatamento às suas ordens, dizia o seguinte ao mesmo oficial superior:

e o portador desta há-de levar as ordens do Marquês Estribeiro-Mor, Mestre de campo General, para que os Cabos de Guerra independentes do Governo de Setúbal, e mais pessoas dêem a V. M. todo o auxílio e ajuda que lhes pedir. E advirto a V. M. que como S. Majestade concedeu ao Sargento-Mor de Batalha, Governador dessa Vila, jurisdição ilimitada e ampla jurisdição para mandar ainda aos que não forem sujeitos ao Governador de Setúbal. E quando assim o não queiram entender, dará V. M. logo conta para S. Majestade mandar fazer, com a severa demonstração cumprir as suas Reais Ordens, de que V. M. é legítimo executor.

Com instruções tão concretas e com a atribuição de tão amplos poderes, não é de admirar que a situação em Setúbal se tenha resolvido satisfatoriamente em pouco tempo. A melhor prova dessa normalização parece ser uma referência feita pelo Núncio, na sua correspondência enviada para Roma, à forma digna como rapidamente fora dado acolhimento às religiosas, sem abrigo, numa instituição situada na periferia da vila de Setúbal.

Talvez seja de acrescentar que a população tradicional de Setúbal parece ter a memória dos dias difíceis de Novembro de 1755, tanto na óptica positiva como na negativa, como foi possível observar ao autor durante as cerca de duas décadas em que, por razões familiares, cívicas ou profissionais se relacionou estreitamente com a cidade de Setúbal.

in NETO, João Pereira Neto, A Resposta da Administração Pública ao Terramoto de 1755, Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Ciências, Tomo XLIII, Volume II, Lisboa, Academia das Ciêncais de Lisboa, 2006 / 2007.