.

.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Bocage: Poesias Eróticas, Burlescas e Satírcas



Título: Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas
Autor: Bocage
Editora: Mocho
Ano: 1979



Constou que muitas pessoas, que subscreveram para a recentíssima edição das Poesias de Bocage, publicada em Lisboa, e concluída já no ano corrente (1878), desejosas de possuir tudo o que saiu da pena de tão peregrino engenho como que se lastimavam de não poder juntar àquela colecção, para a tornar completa, as obras do mesmo autor, que por tratarem de assuntos anti-religiosos, ou pouco conformes à decência e moralidade dos públicos costumes, foram (ao que parece) com acertado fundamento omitidas na referida edição.

Entretanto, é facto incontestável que parte dessas obras têm já sido impressas em diversos tempos, e que outras correm desde muitos anos pelas mãos dos curiosos em cópias mais ou menos viciadas e incorrectas, como é de uso em papéis conservados manuscritos, mormente nos de tal natureza. A esta consideração veio naturalmente prender-se outra decerto bem atendível, no juízo do julgador imparcial: e é que do princípio ao meado do século XIX medeia longa distância no perigo de semelhantes publicações.

Nessa conjectura, alguém se persuadiu de que prestaria mui agradável serviço aos que ambicionam inteirar suas colecções oferecendo-lhes estampadas em igual formato, e com a mesma disposição tipográfica, essas composições de cuja falta tanto lhes pesava: as quais são, por assim dizer, outros tantos documentos indispensáveis para se avaliar cabalmente o mérito do poeta - conhecer até que ponto chegaram suas aberrações - e para completar o desenho das diversas feições morais do seu retrato, atendendo principalmente a que, conforme a reflexão já feita por um juiz competente, se as poesias licenciosas de Horácio são os seus únicos versos sem espírito, pelo contrátio, as de Bocage bastariam de per si a dar-lhe nome o crédito, se estes pudessem provir de tal género, ou se a glória não estivera cimentada em mais firmes e seguros alicerces.

Eis aí pois os motivos da publicação do presente volume.

Sirvam estas razões de salvo-conduto com que a grangeemos obter vénia perante ânimos sensatos e despreocupados: quanto àqueles para quem (na frase de um nosso amabilíssimo contemporâneo) é mais alto escândalo escrever um beijo do que tomar cento, esses têm em si mesmos contra o veneno do livro um preservativo tão fácil quanto infalível: nao o comprem nem o leiam, e ficaremos em boa paz.

0 comentários:

Enviar um comentário